João M. Fernandes: “Ser escritor é o mais próximo que existe de ser Deus”

17 Ago 2015

João M Fernandes Autor do Livro Dez Mil Milhas A Última Grande Aventura Pela América do Norte Viagem Viajante Profissional

João M. Fernandes, autor do livro "Dez Mil Milhas - A Última Grande Aventura Pela América do Norte", fez uma roadtrip durante três meses que deu origem à sua primeira obra. Em entrevista à Dialetu, o escritor refere que não teve outra hipótese, a não ser aceitar o convite para a viagem e partir à aventura. Fica a conhecer o jovem viajante profissional.

Porque é que o teu livro é A Última Grande Aventura pela América do Norte?

Pode parecer um bocado pretensioso dizer que foi a última grande aventura, mas a verdade é que conheço muitas poucas pessoas que durante três meses deixaram tudo para trás e se dedicaram a viver uma aventura. Mesmo no círculo de viajantes é algo raro.
Depois existe a parte em que as Road Trips e este tipo de aventuras eram muito populares nos anos 60 e as pessoas tinham uma visão diferente das viagens, do tempo e do propósito da vida. Isso hoje em dia não existe, já ninguém vai atravessar a América de carro porque sim, porque a aventura chama mais por eles do que as obrigações ou as responsabilidades ou todas essas coisas que achamos que temos que fazer.

Porque é que viajas?

É uma necessidade que tenho, para dizer a verdade é o meu único vício. Desde os meus 16 anos que comecei a sentir um grande apelo pelo desconhecido, por conhecer mais do que aquilo que me era imediato. E assim comecei… Depois digamos que o prazer de estar na “estrada” me levou a procurar sempre mais do mesmo, é uma liberdade inexplicável. Um dia acordas numa cidade que te é estranha, estás rodeado por pessoas que não conheces e tens a liberdade total de fazeres o que quiseres. É difícil voltar atrás depois de se sentir isto.

De todos os temas que há para escrever, porquê escrever sobre viagens? Sentes que um livro é uma viagem por si só? Porquê?

Porque é a conjugação de duas das coisas que mais gosto. Tem tudo a ver com liberdade. Escrever é uma das formas de maior liberdade de expressão que existe, se não escrevesse entrava em parafuso muito rapidamente. Viajar para além do aspecto lógico de liberdade é algo que sempre me fascinou. Por alguma razão não sou daquelas pessoas que se sente fascinado pelo imediato, por aquilo que me é familiar. Há algo de misterioso no desconhecido, naquilo que está para lá da linha do horizonte, aquele entusiasmo quando se entra num avião nunca desaparece.
Mas quem sabe, num futuro próximo posso vir a escrever sobre outros assuntos que me fascinam de igual forma.

Qual é que achas que é o apelo maior de uma roadtrip? Porquê?

Todos nós temos aquela imagem romântica das RoadTrips que vieram até nós pelos filmes e pelos livros. Quase que o conceito só existe quando foi imortalizado pelo Jack Kerouac escreveu o “Pela Estrada Fora”.  É algo que quase todos nós sonhamos um dia fazer na vida (esta razão salvou-me de uma situação bem complicada com a polícia americana): visitar Nova York, cruzar os grandes desertos do Oeste, chegar a Las Vegas ou passar pela Ponte de São Francisco.
O apelo é aquele de liberdade, de quebrarmos a rotina, de nos desprendermos daquilo que a vida é suposto ser. De repente estás num carro durante 18 horas por dia, chegas a uma nova cidade, ficas a dormir no chão da casa de pessoas que acabaste de conhecer e com sorte no dia a seguir conheces uma miúda e bebes uns copos. Não existe maior apelo do que esse.

Dizes que esta viagem mudou a tua vida. Porquê?

É impossível passar mais de três meses num país e num continente diferente e nada mudar numa pessoa. Para além do mais estava a viver de uma maneira a que nada estava habituado. Durante toda a minha vida dormi numa cama e achava que precisava desse mínimo de conforto para ser feliz, diga-se. Quando chegamos a Nova York éramos quatro tipos a viver num estúdio minúsculo, sem água corrente, a única luz vinha de um candeeiro de pé e éramos três a dormir no chão. Depois disso dormir no chão tornou-se um hábito. No livro deixo bem claro que só passado dois meses do início da viagem é que dormi sozinho numa cama.
Depois há a parte de estar muitas vezes mais de dezoito horas por dia fechado num carro com mais três pessoas, o que é sempre complicado. Não há o mínimo de privacidade, não há qualquer conforto e todos estávamos a dever muitas horas ao sono, vivemos uma espécie de reality show de pressão mas sem câmaras. Para não falar que durante todos esses meses apenas tinha comigo uma mala de cabine, era minimalismo ao máximo.
Se depois de tudo isto uma pessoa não muda é porque há algo de errado com ela.

Na open road, o que percebeste em relação à vida? E a ti? Foste à procura de histórias, de inspiração, motivação...? Qual foi a razão mais forte que te levou a aceitar o convite?

Digamos que não tive hipótese. O antropólogo Joseph Campbell disse de forma brilhante: “Quando te colocas no caminho da tua felicidade irão surgir portas onde só havia paredes, irão surgir janelas onde não havia luz”.
Nessa altura tinha acabado uma relação de 3 anos, rejeitei algumas propostas de trabalho porque não gostava do que me propunham, estava a escrever um livro de que já estava farto há mais de um ano e alguns meses antes tinha desistido de um mestrado que não me dizia nada. Fiz tudo isso porque acredito que a vida só é válida se tiver coração. E de repente surgiu o convite para essa viagem. Como disse, não tive hipótese.

A viagem que fizeste foi de auto-descoberta? Mais do que aquilo que estavas inicialmente à espera?

Claro que sim, até porque todas as viagens são de (auto) descoberta. Eu quando viajo não faço grandes previsões ou vou com grandes expectativas do que vai e pode acontecer. Deixo-me ir muito no ritmo e no quão imprevisíveis os dias podem ser. É daí que vem a maior aprendizagem, deixar de controlar e planear tudo, deixar-nos ir.
Contudo, também posso dizer que houve coisas que aprendi, a maioria por osmose, que ainda hoje estou a tentar perceber na sua totalidade ou a implementar na minha vida e em quem sou.

Dos textos que li, a tua viagem faz-me pensar no videoclipe da Lana del Rey, Ride. Sentiste que estavas num filme? Como analisas a realidade que viveste durante esses três meses, agora, distanciado no tempo e no espaço? Como comparas o lá e o cá, o antes e o agora?

Muitas vezes sim. Muitas vezes perguntava-me quantas pessoas é que estavam a fazer o mesmo que nós ou quantas tinham feito. Lembro-me perfeitamente de passar numa zona bastante remota do Nevada, numa pequena estação de serviço bem característica e perguntar-me se alguma vez um outro português tinha parado ali e se sim há quanto tempo teria sido?
São realidades completamente diferentes, foi viver dentro de uma história de um filme e depois quando se regressa está-se de volta ao dia a dia normal, mundano e longe de ser uma aventura. Nesses dias não havia horas para deitar e normalmente acabávamos a dormir numa cidade em que nunca tínhamos estado, perdidos uns dos outros e por vezes com pessoas que conhecíamos há muito pouco tempo, no(s) dia(s) a seguir acabávamos sempre por nos encontrar, - não sei muito bem como, mas nunca ninguém ficou para trás. Conheci pessoas maiores que a própria vida que estão bem presentes no livro, estive em mansões de milhões de dólares e apartamentos luxuosos no centro de Nova York, bem como passei por festas universitárias típicas dos filmes americanos e estivemos em churrascos texanos e tudo isso me parecia muito surreal, muito material de sonhos.

Comparas a tua aventura a, por exemplo, aos filmes Into the Wild ou ao mais recente Wild? Porquê é que pensas que as pessoas sentem a necessidade de fazer viagens como as que tu fizeste?

Sim e não. Sim, porque tal como nessas duas histórias também nós deixamos a sociedade normal e tivemos que nos perder para nos encontrar, - isso está bem visível nas páginas do livro. Por outro lado a vertente das viagens são totalmente diferentes: ambas as personagens foram sozinhas e viveram em grande isolamento, nós por outro lado sempre tivemos mais próximos da sociedade e saíamos à noite para beber copos e jantávamos e conhecíamos miúdas, apesar de andarmos sempre lisos de dinheiro. Já fiz viagens mais parecidas com essas, totalmente a solo durante longos períodos de tempo.
Cada caso é um caso, mas a resposta mais geral seria que a sociedade actual deixa uma enorme lacuna na descoberta individual de quem somos e daquilo que queremos. A maioria das pessoas não sabe quem é, não sabem aquilo que querem e seguem a velha história de que algo só tem valor se houver um retorno imediato, normalmente financeiro. Isto não deixa espaço para as pessoas e principalmente os jovens se interrogarem e perceberem que se calhar não querem um trabalho das 9 às 5, que se calhar o modo de vida para que foram formatados não é o que eles querem seguir e por aí fora.
Acho que hoje em dia existe um desespero silencioso por se sentirem vivas. Nessas duas histórias tratou-se de um acontecimento especifico que os levou a deixar tudo para trás. Comigo aconteceu o mesmo. Quando o “telefone” toca e te diz que está na altura de te sentires vivo só tens uma escolha, a maioria das pessoas têm demasiado medo de escolher o único caminho verdadeiro para elas.

Queres inspirar as pessoas com a tua história? 

O meu objectivo não é inspirar as pessoas, é apenas contar uma história, entreter um pouco e faze-las viajar. Há quem diga que ler é quase um psicadélico natural e eu concordo, somos literalmente transportados para outra realidade. Se no processo inspirar quem lê a viajar, a mudar a sua vida, a fazer aquilo que verdadeiramente gosta ou a aprender algo, então melhor.

Qual surgiu primeiro: o livro ou a viagem? O propósito da viagem era escrever o livro, contar a história ou surgiu por acaso?

Eu escrevo há mais de dez anos quase todos os dias, na brincadeira digo que não sei fazer mais nada. A viagem encontrou-me: um dos amigos que se encontra retratado no livro enviou-me uma mensagem com o mapa dos E.U.A. e apenas a dizer: “Queres vir?” Posso dizer que demorei uma hora a decidir que queria ir.
Escrever sobre esta viagem tornou-se obrigatório para mim quando no percurso percebi que estávamos a fazer algo incrível, algo que a maioria das pessoas não faz e não irá fazer. Eu tinha que escrever sobre isso.
Para além do mais este livro é o livro que eu gostaria de ler, mas que não existe. Trata de tudo aquilo de que eu gosto: aventura, viagens, romance, alguma filosofia e uma forma de viver furiosa. É um livro rápido e que puxa por nós a virar a próxima página.

O livro e a viagem fundem-se? Qual é a dose de ficção e realidade que impuseste à história?

Tal como a própria realidade é um misto entre aquilo que realmente aconteceu e a forma como nos lembramos que foi. Houve partes que não pus porque achei que não tinham interesse nenhum, outras partes foram acrescentadas ora porque são fruto da minha criatividade, ou estiveram quase a acontecer ou se enquadravam bem.
Ser escritor é o mais próximo que existe de ser Deus, podes manipular a realidade à tua maneira e criar todo um novo mundo. Cabe a quem lê decidir o que é real e o que é ficção.

O que aprendeste sobre a América que queiras partilhar? E sobre os americanos?

A América devido às notícias que passam acaba por ter uma reputação de país violento e desigual, e não digo o contrário, mas há coisas absolutamente fantásticas naquele país. As paisagens então são brutais e não há comparação na Europa: a perspetiva de grandiosidade que o deserto trás é arrebatador, de repente a linha do horizonte deixa de existir e o céu parece dez vezes maior do que ao que estás habituado. Depois também há uma diferença clara entre o para cá do Mississipi e para lá, - isso está bem marcado no meu livro com a mudança de capítulo quando passamos Nova Orleães.
O que mais gostei do país e das pessoas é que são muito mais abertas do que nós, Europeus, e especialmente portugueses. Lá toda a gente fala contigo, é fácil meter-se conversa com quem mal se conhece e no geral são pessoas muito mais afáveis e abertas. Depois há a parte muito engraçada de terem um fascínio com os Europeus que não conhecia, o facto de ser europeu equivale a estatuto.

Se tivesses que descrever o teu livro numa só palavra, qual seria?

Aventura.

Qual foi a história mais marcante que já te aconteceu numa viagem? 

Aquilo que mais me marcou foi a bondade e generosidade das pessoas, há muitas histórias: desde sermos perseguidos pela polícia, até estarmos perdidos no deserto e descobrirmos o vale de Salton Lake, que muitas poucas conhecem. Se calhar por também ter sido na parte final da viagem, essa viagem de carro até ao meio do nada marcou-me de uma forma brutal.

Perante nós estava o Salton Sea. Um tesouro perdido da California para os espíritos livres e para as mentes inconvenientes. Os restaurantes estavam desertos com as cadeiras calcificadas e as portas tortas, presas por um só canto. Rolos de erva seca bailavam pelo chão coberto de pó, onde não se distinguia a estrada do deserto à sua volta. Aquele local encontrava-se verdadeiramente perdido no tempo, revivia nas nuvens que passavam por cima de si a glória de outros tempos em que famílias saíam das metrópoles de nomes latinos e descansavam deitadas em espreguiçadeiras e toalhas na areia branca da praia interior. Restavam as paredes, as portas, as roulottes deixadas para trás, enferrujadas e pintadas com murais coloridos, as estações de serviço que não viam clientes em décadas e não chegava ali gasolina desde que o lago se havia transformado de estação balnear num poço salgado, sem vida, sem luzes brilhantes ou camas ocupadas, despreocupadas e de lençóis frescos e perfumados.

Então este é que é o lago…”

Sim.

Bem isto não tem absolutamente nada, está morto como a merda.

Sim, mas tem algo de fascinante, não é estranho estares numa paisagem completamente morta, sem animais, sem vegetação, apenas com paredes deixadas para trás a levar com areia em cima?

Vamos explorar isto, aqueles gajos ainda vão demorar. Demos-lhes um bom avanço.

Caminhamos pelas margens do lago e vimos pelicanos a voar alto, soltando gritos no céu anunciando a presença de estrangeiros naquelas terras de ninguém. Pisávamos escamas e espinhas de peixes apagados pela natureza. Do outro lado havia um barco encalhado numa piscina com o fundo cheio de areia onde pequenos cactos nasciam.

Encontraste aquilo que foste à procura na tua viagem ou nem sequer ias à procura de nada? Porquê

Como disse eu vivo muito no presente e não costumo planear ou criar expectativas sobre o que pode acontecer ou não. Para dizer a verdade eu não ia à procura de nada em específico para além da própria aventura que é viajar durante 3 meses pela América do Norte. Havia algumas cidades que queria visitar, mas mesmo esses planos foram alterados conforme a viagem foi progredindo. Nunca nos passou pela cabeça parar em cidades como Bloomington, no Indiana ou Newport, no estado do Kentucky. Mas foi mesmo isso que aconteceu. No início era suposto pararmos em Chicago, era suposto passar pelos estados do Colorado e do Utah e acabar em San Diego, por fim acabamos por não passar em nenhuma dessas cidades e desviamos para Miami, passamos uma noite no Parque Nacional de Yosemite e tudo acabou em Los Angeles. A estrada foi-se fazendo conforme os dias passavam e os convites surgiam, não havia nada muito fixo.
Há pessoas que me perguntavam se ia para lá à procura de trabalho, à procura de ficar por lá e para ser sincero nada disso eram preocupações minhas, se surgissem haveriam de surgir.
Acho que posso dizer que se fui à procura de alguma coisa era naqueles dias de longas horas de viagem, para cima de 15 horas, de uma cama ao final do dia ou até de um pedaço de chão que não fosse de tijoleira. Era só isso.

Tens saudades da América do Norte? Se lhe pudesses escrever algo, quase um agradecimento, qual seria?

Digamos que gostava de lá voltar e ficar uns tempos. Há cidades que são inesquecíveis que são únicas e zonas dentro destas que deram vontade de lá ficar mais tempo: Greenwhich Village, em Nova York; Santa Mónica e Venice Beach, em Los Angeles; Austin no centro do Texas que é uma cidade vibrante; a região do Big Sur que é o céu na terra.
O maior agradecimento que tenho é para as pessoas que nos acolheram sem nos conhecer de lado nenhum e nos trataram como autênticos reis. Depois de me deparar com uma generosidade tão grande é difícil ficar indiferente e não acreditar nas pessoas.

Qual é a próxima viagem?

Ainda não tenho a certeza de qual vai ser. Mas existe uma grande possibilidade de ser à Tailândia e à Indonésia. No ano passado era para ter ido, mas depois o livro foi publicado e tive que adiar.

Qual é o próximo livro?

Isso é que não sei mesmo. Tenho muitas ideias e às vezes começo a escrever algumas páginas para nunca as continuar. Na mente de um escritor há uma pergunta constante que é: “Será que isto dá para escrever um livro?” Às vezes pensasse que sim e não dá em nada, noutras vezes é quando menos se espera.

Que viagens te faltam cumprir? Que mais objetivos e sonhos queres alcançar?

Muitas, incontáveis. Não te posso responder honestamente a essa pergunta porque normalmente as minhas viagens acontecem de modo muito impulsivo. Ou recebo um convite ou ponho-me a ver voos para destinos aleatórios e de repente a decisão está tomada. Mas há uma grande viagem que tem interesse para mim que é o comboio transiberiano de Moscovo a Pequim, desde há muito que adoro grandes viagens de comboio.

O que dirias às pessoas que querem fazer as suas próprias dez mil milhas mas ainda não tiveram oportunidade?

A maioria das pessoas espera demasiado para que a aventura, ou seja o que for, venha ter com elas. A minha decisão impulsiva de viajar e não planear extensivamente é fruto do aborrecimento que sofro quando passo muito tempo em casa. Se a aventura não vem ter contigo então tu tens que ir ao seu encontro.
Claro que depois existem mil e uma desculpas, e claro que todas elas parecem igualmente válidas. Mas nunca é o momento certo para viajar e é sempre o momento certo. Durante esta viagem senti dezena de vezes que aquela não era a melhor altura da minha vida para estar nos E.U.A. mas na verdade era exatamente aquilo de que precisava.
Quando alguém diz que nunca teve a oportunidade está na verdade a enganar-se, criem as vossas próprias oportunidades.

Queres fazer um convite a quem está a ler, para ficar a conhecer o teu livro?

O 10 Mil Milhas é um livro de aventura, mas que tem muito mais essência do que as típicas histórias de viagem. É um relato próximo das dificuldades e dos bons tempos que passamos num dos últimos continentes selvagens. Abordo muito a vertente humana, tanto daquela presente no nosso grupo, como as relações pessoais que tivemos com quem íamos encontrando. É uma história que nos leva numa espiral de emoções e nos transporta para todas as grandes cidades da América do Norte.

 

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Publicado em Entrevistas

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