Maria Galvão: “O design cria uma ligação com uma comunidade”

14 Jul 2015

Maria Galvão, blogger

Maria Galvão criou o seu blog, Contemporary Lives Here, um espaço que diz ser de "expressão pessoal" há cinco anos. Desde então, define a sua aventura como "fantástica" e espera conseguir ainda ter experiências novas com o seu projeto online. A Dialetu entrevistou a designer e ficou a conhecer o seu trabalho.


Porquê o nome “Contemporary Lives Here?”

Contemporary Lives Here surgiu porque queria um nome diferente que refletisse o blog e os seus conteúdos. Porque o meu blog não é só um blog de moda mas de artes, cultura e design. É sobre o que é atual e contemporâneo. Daí o nome Contemporary Lives Here.


Como defines o teu blog?

O meu blog é um espaço de criatividade e de expressão pessoal. Gosto de falar das coisas que me apaixonam como  Moda, Artes, Cinema, Fotografia, Design e ao mesmo tempo mostrar um bocadinho do meu dia-a-dia.


Qual é o principal objetivo do teu blog?

O principal objectivo do meu blog é expressar-me e tentar inspirar alguém pelo caminho.


Se tivesses de te apresentar como “Maria” (lado pessoal) a alguém totalmente desconhecido, como farias? E como profissional, enquanto designer, o que dirias?

A Maria é ambiciosa e sonhadora mas trabalha para alcançar os seus sonhos, criar faz parte de si e por isso é normal que muitas vezes se deixe levar pela imaginação. A Maria como designer é audaciosa e não tem medo de arriscar. Ainda está a descobrir o seu próprio estilo e a descobrir-se a si própria.


Como descreves o teu estilo?

O meu estilo é uma mistura entre o clássico, minimalista e o vintage. Tudo bem batido com um toque da minha personalidade.


Consideras-te uma “It girl”? Aspiras a ser uma?

Não, não considero. E ser uma “It girl” não está nos meus desejos para o futuro. Acho que fazemos “It girls” as pessoas que nós queremos, por isso é um pouco subjetivo, eu posso considerar “It girl” alguém que ninguém mais considera.


O que respondes às pessoas que dizem que gostar de moda é algo fútil?

Costumo dizer que não conhecem o outro lado do que é moda e design de moda. A moda tem dois lados, um lado muito fútil ao qual não gosto de estar tão ligada e um outro lado maravilhoso de criação, inspiração, arte e história.


No teu blog, tens vários lookbooks com peças vintage. Porquê? Por que motivo pensas que essa tendência foi ganhando tanto espaço no mercado?

Sim, eu sou uma grande fã de peças vintage. A moda é um ciclo, que está constantemente em renovação, algo que se usa agora também se usou há 40/50 anos atrás, por isso é que usar peças vintage é sempre uma tendência atual, claro que consoante a época a que corresponde a peça.


Em que/onde te inspiras para escrever e publicar no blog?

Eu criei um blog porque precisava de me expressar de alguma forma. Mas se tiver que dizer que tive uma inspiração para o criar foi na Tavi Gevinson, criadora do Style Rookie e da Rookie magazine. Atualmente, para além dela, inspiro-me em outros exemplos únicos da blogosfera, como é a Ivania Carpio do Love Aesthetics.


O que é que já ganhaste com as tuas partilhas no blog? Qual é o feedback dos seguidores?

Têm sido uma experiência fantástica. Conheci imensas pessoas maravilhosas e tive oportunidades que nunca imaginei. Gosto de criar uma ligação com as pessoas que me seguem e me leem e acho que tenho conseguido manter essa ligação.


Que mensagem essencial queres passar a todos quantos seguem o teu trabalho e a tua vida no blog?

Sejam vocês próprios. Como dizia Oscar Wilde "Be yourself, everyone else is taken".


Estudas Design de Moda e Têxtil. Pensas em criar e ter a tua própria linha de produtos?

Sim, acabei este ano a minha licenciatura em Design de Moda e Têxtil. Mas por enquanto não penso em criar uma linha própria. Na realidade, a área que me apaixona é a Produção de Moda e penso que ter entrado neste curso me deu imensas bases que são uma mais-valia para agora seguir um estudo em Produção de Moda.


Que conselhos de moda darias às pessoas comuns, "leigas" na matéria?

Não considero que haja pessoas comuns, leigas na moda. A moda é o que cada um quer que seja para si. Cada um tem o seu próprio estilo e sabe com o que se sente confortável vestido. O problema é que muitas vezes as pessoas, cheias de tanta informação e de constantes estímulos sobre as várias tendências do momento, se perdem e deixam de saber o que gostam. O meu conselho é: definam o vosso próprio estilo e adaptem-se às várias tendências, mas nunca deixem que as tendências vos consumam.


Que celebridade gostarias de vestir? Porquê?

Não tenho nenhuma em mente. Porque na realidade todas as celebridades que gostaria de vestir já são uma inspiração por mim em relação ao seu próprio estilo.

 

Como por exemplo?

Clemence Poésy, Caroline de Maigret, Alexa Chung, entre outras.


O que é que, para ti, faz um acessório de moda apelativo, diferente e esteticamente atrativo?

Eu vivo muito na norma “menos é mais”. Por isso gosto imenso de acessórios discretos, com uma cor base, clássicos.


Qual é o teu relógio de sonho? Qual é a marca que mais gostas, de momento? Porquê?

Eu até há pouco tempo não usava relógios, nunca ganhei o hábito. Agora que já uso com mais frequência devido a uma parceria com a marca Daniel Wellington e gosto tanto do meu relógio de lá. É simples e clássico. 


A teu ver, qual é/seria o lifestyle perfeito?

Para mim seria trabalhar em algo que amo, numa cidade cultural, com bom tempo e os amigos e família por perto.


Até agora, qual foi o post do teu blog que te marcou mais? Porquê?

Não consigo dizer o que mais me marcou. Mas um dos que mais me marcou foi um que fiz sobre sermos nós próprios. Isto porque vivo numa cidade relativamente pequena e muitas vezes somos olhados de lado pelo que vestimos ou usamos. E desde que comecei o blog que recebia perguntas de “como é que arranjo coragem para me vestir como quero?” ou “como consigo não ligar quando me olham e fazem comentários?”. Chegou uma altura que decidi escrever sobre isso, não deixarmos que as opiniões das outras pessoas nos influenciem e para sermos sempre fiéis a nós próprios. Foi uma publicação muito pessoal e com a qual recebi feedback muito positivo.


O Contemporary Lives Here existe há cerca de cinco anos. Olhando em retrospetiva, como começou tudo? O que farias igual ou de forma diferente? Há algum arrependimento?

O blog começou por ser um escape ao meu dia-a-dia. Estava no secundário a tirar Ciências e Tecnologias e apesar de gostar não me fazia feliz, por isso decidi criar o Contemporary Lives Here onde no primeiro ano apenas partilhava inspirações. Só foi mais tarde que decidi partilhar imagens de looks diários e informações mais pessoais. Não me arrependo de nada e não mudava o que fiz. Porque fez tudo parte de uma aprendizagem e crescimento que foram uma mais-valia.


O que te falta fazer e o que há melhorar na plataforma e no blog em si?

Já são quase cinco anos mas sinto que ainda tenho imensa coisa para fazer. Mais looks, parcerias, experimentar novos designs no blog, conhecer novas pessoas, enfim, uma data de experiências novas.


Que recomendações darias a quem se quer iniciar como blogger? Porquê?

O meu conselho para uma blogger que está a iniciar é: sejam vocês próprias. Tentem expressar ao máximo a vossa personalidade. Só assim vão conseguir na realidade ter pessoas que se identifiquem com vocês e sigam o vosso blog diariamente.


O que desejas alcançar com o blog, numa perspetiva a longo prazo?

Quanto ao blog não costumo pensar muito a longo prazo. Pois é um projeto que me acompanha diariamente e por isso é algo que me acompanhará nas próximas aventuras pessoais. A longo prazo muita coisa pode mudar e, por isso, não sei em que direção levarei o blog.


Quais são os teus sonhos? E planos para o futuro?

Bem, um dos meus grandes sonhos é conseguir trabalhar na área que amo: Produção de Moda, tenho perfeita consciência que é uma indústria muito difícil e competitiva, mas quero lutar por isso. De momento estou a preparar-me para começar um estágio numa revista de moda, arte e fotografia em Londres. Depois, só o tempo dirá!


Esta entrevista surgiu no âmbito de uma campanha denominada #designfirst criada pela Dialetu. Nesse sentido, qual é a importância do design na nossa vida quotidiana? Na tua opinião, o público português está sensibilizado para esta temática? Se não, o que fazer para mudar mentalidades, aumentar a consciência/awareness deste fator?

O design está presente em vários aspectos da nossa vida diária. Cada objecto que temos na mão tem um certo design, bom ou mau, mas tem um design que alia um lado funcional a um lado estético. Penso que nem sempre o público português está sensibilizado para o que é um bom design e o que isso acresce no valor final do produto. Um produto com um bom design é um produto distintivo, agradável esteticamente e que cumpre a sua função. O que as pessoas às vezes não percebem é que para um produto conseguir cumprir estes três requisitos é preciso muito trabalho por parte dos designers/indústria e que por isso o preço é relativamente mais alto do que um produto vulgar com um design fraco. Penso que campanhas como esta, #designfirst, são importantes para mostrar verdadeiramente o valor do design. Talvez até envolver o público no que é o processo de criação do produto.


Da tua experiência, o que pode o design fazer por nós enquanto comunidade? Qual é a influência do mesmo nas nossas vidas?

O design acho que cria uma ligação com uma comunidade. Para mim, faz-me mais feliz e faz-me querer adquirir um certo produto ou não.


Queres fazer um convite a quem está a ler, para ficar a conhecer o teu blog?

Claro! Convido desde já todos a visitarem o meu blog. Explorem e se gostarem deixem-me feedback! Obrigada!

 

Maria Galvão escolheu os óculos de sol Ivory Henry da Triwa, o relógio Sometimes Black White Leather da Projects e a pulseira Perlen x Gold da Vitaly como seus favoritos no catálogo da Dialetu. "São os três produtos com um design forte, minimalista e ao mesmo tempo clássico. São sem dúvida produtos que me veria a usar imensas vezes", afirma. 

 

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Publicado em Entrevistas

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